Lula recebe os irmãos Joesley e Wesley Batista no Palácio do Planalto
- Jason Lagos
- 28 de mai. de 2024
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Os empresários Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, participaram nesta segunda-feira, 27, de um encontro com o presidente Lula (PT) no Palácio do Planalto. É a primeira vez que os dois são recebidos na sede do Poder Executivo desde 2017, quando que se afastaram da empresa e fecharam um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), no âmbito da Operação Lava Jato.
O encontro se deu durante uma agenda com a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira de Frigoríficos.
Acompanhado do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o petista discutiu a necessidade de doações de proteína animal a famílias atingidas pela tragédia climática no Rio Grande do Sul.
Joesley e Wesley voltaram ao Conselho de Administração da JBS em março. No mês passado, Lula cumprimentou os dois durante um evento em Mato Grosso do Sul. Na ocasião, o petista disse que os empresários são os “herdeiros primeiros”, responsáveis por transformar a companhia na “maior empresa de proteína animal do mundo”.
O encontro dos dois com Lula ocorre no momento em que a Lava Jato enfrenta uma nova derrocada. Em dezembro do ano passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli suspendeu o pagamento da multa de R$ 10,3 bilhões da J&F, holding que administra a JBS.
A multa da J&F foi estabelecida após ela assinar um acordo de leniência em que admitiu a prática de corrupção e se prontificou a colaborar com as investigações da Lava Jato. A holding alega que foi coagida a assinar o acordo para “assegurar sua sobrevivência financeira e institucional” e que é preciso “corrigir abusos”.
Na delação premiada formada em 2017, os empresários admitiram o envolvimento do grupo em atos de corrupção e pagamento de propina, no âmbito das investigações conduzidas pela Operação Lava Jato.
Joesley disse que Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), era um “abridor de portas da JBS” no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O empresário também delatou que “emprestou” US$ 20 milhões da conta corrente do PT, que chegou a ter US$ 150 milhões.
No ano passado, a 12ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal absolveu Mantega e o expresidente do BNDES Luciano Coutinho das acusações. Segundo a Justiça, as declarações feitas por Joesley são “genéricas e vazias” e não apresentaram provas das ilicitudes cometidas pelos dois.
A delação premiada dos empresários quase derrubou o ex-presidente Michel Temer (MDB), que sucedeu a Dilma. Joesley gravou uma conversa com Temer em que ele supostamente dava aval para comprar o silêncio de potenciais delatores, como o ex-deputado Eduardo Cunha (PRD). Acusado de obstrução de Justiça, o ex-presidente foi absolvido em 2019.
Créditos: Revista Oeste



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