Lula mostra irritação com Toffoli e chega a dizer a aliados que ministro deveria deixar STF
- Jason Lagos
- há 2 dias
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Lula disse a esses aliados que pretende chamar Toffoli para nova conversa sobre sua conduta no inquérito
O presidente Lula (PT) tem manifestado irritação com a conduta do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), na relatoria do inquérito do Banco Master.
O petista acompanha o andamento do caso e as repercussões sobre a atuação do magistrado. Nos últimos dias, deu sinais de que não pretende defender Toffoli das críticas feitas ao ministro.
Em conversas reservadas com ao menos três auxiliares, Lula fez comentários considerados duros sobre Toffoli e chegou a afirmar, em desabafos, que o ministro deveria renunciar a seu mandato na corte ou se aposentar, segundo relatos colhidos pela Folha.
Lula disse a esses aliados que pretende chamar Toffoli para uma nova conversa sobre sua conduta no inquérito —eles já discutiram o assunto no fim do ano passado.
Apesar dos rompantes, colaboradores duvidam que o presidente vá propor ao ministro que se afaste do tribunal ou abra mão da relatoria do caso.
A auxiliares Lula tem defendido as investigações e afirmado que o governo precisa mostrar que combate fraudes sem poupar poderosos, evitando críticas por eventuais interferências.
Além disso, haveria a percepção de que o caso pode abalar políticos de oposição e deverá prosseguir, ainda que respingue em governistas.
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, tem ligações com políticos do centrão e também com aliados do governo do PT na Bahia. O empresário baiano Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, é próximo de Rui Costa, ministro da Casa Civil, e do senador Jaques Wagner, líder do governo.
nvestigadores que acompanham o caso Master avaliam que a situação do ministro Dias Toffoli chegou a um ponto considerado insustentável e com tendência de agravamento. A leitura predominante é que não há um evento capaz de encerrar a crise de forma abrupta, mas sim uma sequência de desdobramentos que fogem, inclusive, ao controle do próprio relator.
O diagnóstico é de que o desgaste não se limita ao Supremo Tribunal Federal e pode avançar por vias externas ao tribunal.As informações foram divulgadas pelo blog da jornalista Andreia Sadi, no G1, a partir de relatos de investigadores ouvidos nos últimos dias.
Segundo essas fontes, o problema é estrutural: há frentes de apuração que não estão sob a condução direta de Toffoli nem concentradas no STF. Em São Paulo, por exemplo, seguem em andamento investigações relacionadas a fundos e estruturas financeiras, capazes de produzir novos fatos a qualquer momento, independentemente de decisões tomadas no Supremo.
De acordo com esse entendimento, mesmo uma tentativa de “organizar” o caso dentro da Corte não seria suficiente para conter o desgaste. O risco, alertam investigadores, é que novas revelações surjam fora do alcance do relator e ampliem a crise.
Esse alerta já foi levado diretamente à maioria dos ministros do STF, com a advertência de que o caso tem potencial para “arrastar o tribunal para a lama”, convertendo um problema individual em uma ameaça institucional.
A leitura predominante entre investigadores e ministros é que prolongar a situação agrava o cenário e empurra o Supremo para o centro de uma crise política contínua. A crise envolvendo Dias Toffoli, afirmam essas fontes, não tem prazo definido para terminar, apenas a possibilidade — ainda em aberto — de ser contida antes de contaminar toda a Corte.
Créditos: Folha de SP e G1




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