Governo recebe sinal do PP para manter Fufuca no Ministério em troca de outros cargos
- Jason Lagos
- 24 de out.
- 3 min de leitura

Com a permanência de Fufuca na Esplanada, o PP manterá cargos no Ministério do Esporte e em estatais
Em reunião com a ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Gleisi Hoffmann, o líder do PP na Câmara, Doutor Luizinho (RJ), deu um sinal para que o ministro do Esporte, André Fufuca, permaneça no governo em troca da preservação da sigla no “limpa” feito pelo governo em cargos de segundo escalão.
Segundo auxiliares do presidente da República, ficou acordado que, com a permanência de Fufuca na Esplanada, o PP manterá cargos no Ministério do Esporte e em estatais e ministérios onde o governo promoveu a demissão de indicados de deputados que votaram contra a medida provisória 1.303, que apresentava ações de corte de gastos e aumento de receita para cobrir o recuo parcial do aumento do IOF.
De acordo com os relatos, o governo poderia substituir indicados de deputados do PP que ajudaram a derrubar a medida. Por outro lado, os substitutos ainda serão ligados ao partido, caso o acordo entre a sigla e o governo se consolide. Gleisi se reuniu com Luizinho e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na Residência Oficial da Câmara, em Brasília, na noite desta quarta-feira, 22. Fufuca também esteve presente no encontro.
Há algumas semanas, o PP e o União Brasil intensificaram a pressão contra os ministros André Fufuca e Celso Sabino, do Turismo, para que deixassem os cargos. Seria um gesto de desembarque das duas siglas do governo e de afastamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Fufuca e Sabino, no entanto, insistiram e ficaram em seus ministérios.
O ministro do Esporte foi afastado das funções partidárias na direção nacional do PP e no diretório regional do Maranhão, seu Estado. Sabino, por sua vez, se tornou alvo de um processo de expulsão no União Brasil por causa da decisão. PP e União Brasil capitanearam a votação que derrubou a MP 1.303.
O governo decidiu, a partir disso, iniciar um processo de “limpa” nas indicações feitas por congressistas que votaram contra a proposta do Planalto. Entretanto, Gleisi resolveu conversar com Motta e líderes partidários antes de começar a substituir os demitidos.
Esta semana, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, elogiou um projeto do governo Lula, reforçando as especulações de que estaria ensaiando uma volta à aliança com o cacique petista.
Nesta quinta (23), Ciro foi ao seu perfil oficial na rede X (antigo Twitter) para “dar apoio” ao projeto antifacção, como instrumento de combate ao crime organizado, apresentado recentemente pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski.
A manifestação de Ciro vem na esteira de muitas especulações de que ele estaria “arrependido” da conversão ao bolsonarismo, e que agora gostaria de voltar a integrar a base do governo Lula, como já fez no passado.
Político oriundo de um dos estados mais lulistas do Brasil, o Piauí, no qual o atual presidente teve quase 77% dos votos na eleição de 2022 no 2º turno, Ciro está muito desgastado por lá.
Uma pesquisa Real Time Big Data recente, realizada entre os dias 27 e 29 de setembro, mostrou que o quase ex-bolsonarista não conseguirá se reeleger para o Senado em 2026. Embora sejam duas vagas no pleito do ano que vem, ele aparece apenas em terceiro lugar com 18% das intenções de voto, atrás de Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), ambos da base do governo Lula.
Créditos: Estadão e Revista Fórum



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