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Governo Lula adia reciprocidade ao tarifaço dos EUA para "momento adequado"

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Embora a medida esteja no radar do governo, interlocutores avaliam que a aplicação não será imediata


O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou o discurso contra o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, mas decidiu deixar uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade para um "momento adequado". Enquanto isso, representantes da indústria defenderam que o Brasil mantenha as negociações para evitar uma escalada da disputa comercial, diante do risco de prejuízos às exportações e de demissões em setores afetados.


Embora a medida esteja no radar do Palácio do Planalto, interlocutores da equipe de Lula avaliam que sua aplicação não deve ser imediata. A posição difere da reação inicial do governo, que anunciou o acionamento da Lei da Reciprocidade logo após a confirmação das tarifas de 25% sobre produtos brasileiros pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).


"O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC", disse a Presidência em nota na madrugada de quinta-feira (16), logo após o anúncio dos EUA.


A cautela ocorre uma vez que aliados de Lula ponderam que uma resposta imediata poderia levar Donald Trump a ampliar as sanções contra o Brasil. Esses mesmos aliados citam um trecho da decisão do USTR segundo o qual uma eventual elevação de tarifas sobre produtos americanos pelo Brasil pode indicar que as medidas adotadas pelos EUA "não são suficientes" para eliminar as práticas brasileiras consideradas problemáticas, abrindo espaço para novas sanções.


José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Abiplast (Associação Brasileira da Indústria do Plástico), alertou que a aplicação da Lei da Reciprocidade em resposta ao tarifaço norte-americano pode piorar ainda mais a situação do Brasil. Ele avaliou que o país não teve estratégia, foco nem vontade de negociar, o que resultou em uma taxação severa que colocou o Brasil entre os países mais atingidos pelas tarifas americanas.


Entidades representativas das indústrias brasileiras lamentaram, nesta quarta-feira, 15, a decisão dos Estados Unidos de impor uma nova sobretaxa às exportações de produtos brasileiros. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) atribuiu a responsabilidade ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a entidade, a condução política atual provocou desgastes na relação bilateral.


“Em um momento de extrema sensibilidade econômica mundial, a opção do governo brasileiro por ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington acabou por minar vínculos construídos ao longo de mais de 200 anos de cooperação bilateral”, diz a Fiesp em nota.


A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirmou que a medida cria uma diferença relevante em relação aos concorrentes estrangeiros. Segundo a federação, a nova tarifa pode levar à substituição de fornecedores e pressionar a redução de preços. Além disso, prevê a renegociação de contratos, prazos e condições comerciais com compradores norte-americanos.


Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) declarou que a sobretaxa agrava o cenário do comércio exterior. Segundo a entidade, as exportações brasileiras para os EUA caíram 13% no primeiro semestre, o que representa uma perda de US$ 2,6 bilhões.


“Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 Estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. “Diante do anúncio de hoje, o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram.”



Créditos: CNN e Revista Oeste

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