Frente Popular terá de considerar a força de Marília Arraes na disputa pelo Senado
- Jason Lagos
- 3 de nov.
- 2 min de leitura

A posição favorável de Marília Arraes a credencia hoje a não se render facilmente ao assédio do PSB
Os partidos que integram a Frente Popular - e que apoiam a provável candidatura do prefeito João Campos (PSB) ao governo do estado - têm mais um motivo para negociar à exaustão uma das vagas ao Senado.
A pesquisa Datafolha, encomendada pela CBN Recife e CBN Caruaru, e divulgada na semana passada, aponta a ex-deputada e vice-presidente nacional do Solidariedade, Marília Arraes, liderando a disputa em todos os cenários.
A posição favorável de Marília Arraes a credencia hoje a não se render facilmente ao assédio do PSB, que vem sugerindo seu nome como puxador de votos para a Câmara Federal.
Marília já deixou claro que uma candidatura majoritária depende de muitos fatores, incluindo o quadro partidário – ela está no pequeno partido Solidariedade – e disse há poucos dias, após receber telefonemas de vários políticos e jornalistas, que a pressão sobre ela está crescendo a cada nova pesquisa divulgada.
“O perigo é desagradar muita gente que torce por mim, caso essa onda continue e eu acabe não disputando o Senado”, afirmou.
Uma liderança de esquerda, muita antenada com os bastidores da política, afirma que vê alguns problemas para Marília na disputa, mesmo ela figurando como favorita. Pedindo anonimato, essa fonte explicou que alguns fatores são obstáculos no caminho que ela possa vir a trilhar no campo majoritário.
“Ela sempre começa bem mas acaba caindo no final da campanha. Aconteceu em 2020 no Recife quando disputou a Prefeitura com João Campos e em 2022 quando perdeu para outra mulher, a governadora Raquel Lyra. Fora isso é prima do prefeito e uma chapa familiar pode não agradar o eleitorado. Depois ela teria que disputar no campo da esquerda com outro nome forte, o senador Humberto Costa, que tem a preferência do presidente Lula. A candidatura de Humberto é prioridade absoluta no PT que não deseja dividir votos com Marília".
Marília já mostrou que tem resposta para todas as objeções, incluindo o parentesco com João Campos que, segundo ela, é bem assimilado pelas pessoas, segundo pesquisas internas do seu partido.
As restrições do PT a Marília vêm da eleição de 2022 quando ela se lançou candidata a governadora pelo Solidariedade, mesmo sabendo que o PT apoiaria Danilo Cabral para manter a aliança com o PSB. E acabou se sobrepondo aos dois, vencendo o primeiro turno quando disputou com Raquel e perdeu. Isso nunca foi assimilado, tanto que neste terceiro mandato de Lula ela não foi chamada para ocupar nenhum cargo na administração federal, mesmo tendo sua irmã Maria Arraes deputada federal na base do presidente.
Há quem imagine que se a governadora Raquel Lyra continuar crescendo nas pesquisas, como se presume, João Campos acabe priorizando Marília em sua chapa para torná-la mais consistente. “Se Raquel crescer muito não é Marília que vai precisar do prefeito para disputar mas o próprio João que vai ter todo interesse nisso e até convidá-la para ser um dos seus candidatos ao Senado” – afirma um deputado estadual de linha independente mas simpático ao projeto do PSB.
Créditos: Folha PE e Blog Dellas



Comentários