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Flávio José cancela shows na Bahia durante São João por conta de intervenção do Ministério Público no cachê

  • Foto do escritor: Jason Lagos
    Jason Lagos
  • há 15 horas
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 5 horas

No ano passado, Flávio José recebeu R$ 250 mil de cachê, ou R$ 100 mil a menos do que receberia em 2026


Um dos principais cantores de forró do Brasil, Flávio José decidiu cancelar todos os seus shows na Bahia durante o período de São João. Ele se revoltou com a redução no valor do cachê de suas apresentações por, segundo ele, recomendação do Ministério Público local.


O cantor diz que não houve reduções em valores pagos a sertanejos. Procurado pela Folha neste sábado (6), o MP-BA se diz surpreso com a alegação de Flávio e afirma que as recomendações de valores seguem critérios técnicos e que não foi direcionada a ele.


Flávio José confirmou a medida na última quarta-feira (3) em nota no Instagram. Ao todo, seriam 15 shows realizados em diversas cidades. Entre elas, estavam previstas apresentações em locais tradicionais na Bahia, como Jequié e Senhor do Bonfim. Essas cidades recebem turistas durante o período.


"Este ano a Bahia ficará sem minha presença, às vésperas da maior festa de manifestação cultural do Nordeste, eu recebo a notícia que o MP da Bahia resolveu diminuir o meu cachê! Enquanto outros artistas que nada têm a ver com forró, como sertanejos, ganham rios de dinheiro", disse o artista.


Desde 2024, o MP-BA faz uma fiscalização de gastos públicos com festas em todo o interior da Bahia, para evitar excessos. Caso o valor ultrapasse um teto considerado aceitável para a realidade do município, o show é embargado.


De acordo com dados do Ministério Público da Bahia, Flávio José receberia R$ 350 mil de prefeituras locais para apresentação. No ano passado, ele recebeu R$ 250 mil, ou R$ 100 mil a menos que neste ano. Zé Neto e Cristiano, uma dupla sertaneja que fará três shows, terá R$ 905 mil de cachê, quase o triplo.


"É de um desrespeito sem tamanho. Por esse motivo, não irei à Bahia este ano. Lamentável, deixei de vender minhas datas para Estados que realmente me valorizam. Priorizei a Bahia durante toda a minha carreira e hoje recebo essa informação como gratidão que o Estado me devolve", concluiu Flávio.


As polêmicas com os preços de cachês não se limitam à Bahia, mas se espalham por todo o Nordeste. Neste domingo (7), o jornalista Nill Junior, titular do blog homônimo, mencionou a existência generalizada de corrupção nos grandes shows artísticos em Pernambuco. Confira os dois parágrafos da publicação do jornalista sertanejo.


- De um nome que conhece o mercado de mega shows em Pernambuco, a informação é de que, no Estado, “a farra é grande”, e que o troco, o valor que volta ao bolso de alguns contratantes, ou propina, é de “20% livre”.


- Ou seja, onde isso ocorre, se um show custa R$ 1 milhão, R$ 200 mil voltam pra mão de quem contrata. Claro, há muitos artistas que não entram nesse esquema, como a maioria dos forrozeiros tradicionais. Também não há como generalizar. Na dúvida, sigam o dinheiro!


Em Caruaru, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) emitiu uma recomendação urgente à Prefeitura e à Fundação de Cultura e Turismo do município para frear o que está sendo apontado como uma verdadeira farra de gastos e superfaturamento nas contratações artísticas para os festejos juninos de 2026.

 

Uma auditoria minuciosa, cruzando dados dos Painéis de Transparência do MPPE e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), revelou um aumento desproporcional e completamente acima da inflação nos valores dos contratos deste ano.

 

A investigação constatou que as contratações diretas (feitas por inexigibilidade de licitação) superam, de longe, a média histórica cobrada pelos próprios artistas em períodos sazonais anteriores. No total, o órgão fiscalizador identificou um excesso global superior a R$ 2 milhões.

 

Artistas de grande apelo popular lideram as distorções orçamentárias apontadas na lista oficial do MPPE. O caso mais gritante é o do cantor Wesley Safadão, contratado pelo valor astronômico de R$ 1,5 milhões, valor que apresentou um “excesso irrazoável” de R$ 429.597,34 em relação ao teto calculado pelo órgão.

 

Mas ele não está sozinho. O cantor Pablo registrou um sobrepreço de R$ 222.848,00. Já a Banda À Vontade registrou um valor inflado em R$ 155.999,92.

 

Até mesmo atrações tradicionais do forró, que deveriam valorizar a cultura nordestina sem extorquir o erário, figuram na relação bem acima da média de mercado. Entre os citados estão Zé Vaqueiro, Fala Mansa, Solange Almeida e Limão com Mel.

 

A recomendação do MPPE, publicada no Diário Oficial da quinta-feira (4), é taxativa: a Prefeitura de Caruaru deve se abster imediatamente de pagar qualquer valor acima do teto estipulado e está proibida de firmar novos contratos sem justificativas robustas e pesquisas de mercado fidedignas.

 

Ao prefeito Rodrigo Pinheiro foi dado um prazo de cinco dias para apresentar uma resposta por escrito ao Ministério Público, detalhando as providências a serem adotadas para estancar a sangria do dinheiro público.



Créditos: Folha SP, Blog do Nill Junior e Blog do Ricardo Antunes

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