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Flávio Bolsonaro diz que foi intimado pela PF a entregar passaporte

Foto do escritor: Jason Lagos
Jason Lagos
há 18 minutos
3 min de leitura

O senador afirma que foi abordado por agentes na saída da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro


O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou, nesta segunda-feira (26), ter sido intimidado pela Polícia Federal (PF) a entregar o passaporte. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele afirma que foi abordado por agentes na saída da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em um condomínio no Jardim Botânico (DF).


“Hoje de manhã, fui visitar meu pai, como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. Quando eu estava saindo, a Polícia Federal  do Lula estava na porta da casa dele e, no meio da rua, fui intimado a entregar meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”, disse Flávio.


O senador afirma que cumprirá a determinação, mas garante que “nunca pensou em deixar o Brasil”. “Vou entregar meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar. Mas ninguém vai me calar”, afirmou.


De acordo com Flávio, a decisão da PF ocorreu após ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e teria se baseado em uma fala do irmão dele, o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro.


Em vídeo na última sexta-feira (23), Eduardo afirmou que, em caso de derrota nas eleições, Flávio Bolsonaro deveria deixar o Brasil. Segundo ele, o irmão ficaria sujeito a investigações após deixar o Senado e perder a imunidade parlamentar.


Segundo Flávio, a medida tem caráter político e teria sido tomada logo após o anúncio do resultado da eleição.


“Por mais, essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado. Pensa comigo: se eu tivesse ganhado a eleição, essa PF ia estar do mesmo jeito me intimando no meio da rua? Isso é um sinal de que a nossa democracia faliu. Foi uma decisão tomada conforme o resultado, uma questão política. Não pode ser assim”, afirmou.


O medo de ser preso ainda neste ano por ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes foi um dos principais motivos que fundamentaram a decisão de Flávio Bolsonaro de não mais questionar o resultado da eleição.


Segundo seus interlocutores, o candidato derrotado está bastante preocupado com a possibilidade de o pai, Jair Bolsonaro, morrer na prisão, e de ele próprio ser preso ainda esta semana e passar muitos anos na cadeia.


A avaliação do entorno do senador é que, diferentemente do pai, Flávio não está psicologicamente preparado para enfrentar o risco de ser preso por Moraes.


A mudança de discurso de Flávio sobre o resultado das eleições foi definida pelo senador em uma reunião com o governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e outros

aliados  na manhã da segunda-eira (26), em Brasília.


Além de Tarcísio, participaram da conversa o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha; Maria Cláudia Bucchianeri, advogada da campanha; o deputado Guilherme Derrite (PP-SP); e o advogado Vicente Santini, amigo pessoal de Flávio.


No encontro, os aliados ponderaram ao candidato do PL que era preciso abandonar o discurso de que as eleições teriam sido fraudadas e, por isso, deveriam ser anuladas — tom adotado por Flávio em pronunciamento logo após a derrota, na noite do domingo.


A avaliação foi de que uma ação de anulação do pleito dificilmente avançaria na Justiça Eleitoral. Nesse cenário, a orientação foi para que Flávio trocasse o discurso da fraude pelo da cassação da chapa Lula-Alckmin por abuso de poder político e econômico na eleição.


Na tarde da segunda-feira, o senador divulgou um vídeo nas redes sociais anunciando que vai pedir a cassação da chapa de Lula, reeleito  para um quarto mandato com 51,79% dos votos contra 48,21% de Flávio.


Ameaçado pela eleição de uma ampla  bancada de direita no Senado, o ministro do STF Alexandre de Moraes usará o inquérito contra Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz como escudo anti-impeachment.


Relatada por Moraes no Supremo, a investigação apura o possível crime de lavagem de dinheiro com o uso de casas de apostas por parte de Flávio e de Willer, de quem o senador do PL admite publicamente ser amigo pessoal.


Na noite de ontem, o PL divulgou uma nota em que reconhece o resultado da eleição presidencial proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No mesmo texto, o partido diz que os questionamentos sobre o pleito devem ser esclarecidos.


A nota foi divulgada após medidas cautelares contra o senador Flávio Bolsonaro, incluindo a apreensão de passaporte e a proibição de contato com Willer Tomaz. Segundo matéria divulgada pelo jornalista Cláudio Dantas , ministros do STF alertaram a cúpula do partido de que Flávio poderia ser preso nos próximos dias, caso não encerrasse os questionamentos sobre o resultado.



Créditos: Metrópoles, CNN Brasil e portal Cláudio Dantas

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