Considerado um “ás” na Internet, João Campos enfrenta reviravolta nesse campo na entrada do ano eleitoral
- Jason Lagos
- 12 de jan.
- 3 min de leitura

No ano em que se reelegeu, João Campos viu chegar na Câmara Municipal outros “ases” no assunto
O ano só está começando mas o prefeito do Recife, João Campos, que ganhou notoriedade local e nacional no ano de 2024 pela boa performance na Internet – chegou a ser batizado de “rei do Tik Tok” após nevar o cabelo e dançar o passinho na época do carnaval dominando, sem competidor, o espaço das redes sociais até se reeleger com quase 80% dos votos – começou a experimentar neste início de ano eleitoral o reverso da medalha.
No mesmo ano em que se reelegeu prefeito do Recife, João Campos viu chegar na Câmara Municipal outros “ases” no assunto, só que do lado contrário no espectro ideológico, como foi o caso dos vereadores Eduardo Moura e Felipe Alecrim, do Partido Novo, e Thiago Medina, do PL. Junto com os demais vereadores de oposição – são apenas 11 do total de 37 – esses vereadores passaram a marcar de perto a administração municipal, coisa que não existia na primeira administração de João Campos, ao ponto dele ter passado quatro anos sem enfrentar adversários.
Se no ano de 2025 esses vereadores estiveram permanentemente na cola do prefeito, incomodando pela fiscalização diuturna de postos de saúde, escolas, creches e obras atrasadas, tudo com o uso da Internet, na virada do ano o assunto foi outro: a decisão da Prefeitura de nomear como procurador municipal – o maior salário pago pela PCR – um candidato que passara em 63º lugar no concurso de 2022, Lucas Vieira dos Santos, mas que, só dois anos depois, solicitou oficialmente a sua admissão na lista de classificação como “pessoa com Transtorno do Espectro Autista” e acabou atropelando o 1º lugar oficial de PCD, Marko Venicio dos Santos, com deficiência física e que aguardava nomeação.
A nomeação, feita no dia 23 de dezembro, véspera do Natal, causou pronunciamento da Associação dos Procuradores Municipais alegando que não se pode mudar as regras de um concurso depois que ele foi homologado e foi levado à Internet pelos vereadores que acrescentaram, e até hoje não foram desmentidos, a informação de que o candidato beneficiado é filho de um juiz que tem julgado ações contra a Prefeitura e uma procuradora do TCE, outro órgão de controle das administrações municipais. Com a repercussão, João Campos desfez a nomeação de Lucas e nomeou, no mesmo ato, Marko Venício, mas não se livrou das cobranças.
O prefeito passou a ser alvo da imprensa nacional e de influenciadores de outros Estados, como São Paulo, onde a deputada federal Tábata Amaral, noiva de João Campos, é combatida por todos os influencers de direita, e tudo culminou com o pedido encaminhado à Câmara Municipal pelo vereador Eduardo Moura solicitando o impeachment do gestor recifense.
O assunto deve ir à votação, como manda lei federal sobre ao assunto, no início do período legislativo, em fevereiro, mas não deve prosperar porque a oposição conta com apenas 11 dos 37 vereadores. Uma CPI também foi requerida, mas precisa de 13 assinaturas para que o assunto seja despachado pela presidência da Câmara, e até agora só conta com 9 assinaturas.
Nem o anúncio esta semana por João e Tábata de que vão se casar dia 21 de fevereiro na Igrejinha da famosa Praia dos Carneiros, no Litoral Sul de Pernambuco, foi festejado como costumam ser os casórios de celebridades, mesmo que um dos cônjuges seja o político citado como provável sucessor do presidente Lula na esquerda brasileira. Os comentários às matérias sobre o casamento foram até agora majoritariamente negativos, acrescentados de cobranças sobre o concurso.
A Prefeitura se limitou, nos primeiros dias, a dar respostas vagas sobre a questão, mas na última quarta-feira o próprio prefeito falou sobre o caso como uma disputa entre duas pessoas com deficiência, e criticou a exploração política do assunto. Na ocasião, chegou a informar, a seu favor, que já nomeou 11.700 concursados, sendo 1.030 pessoas com deficiência. Também se referiu a seu irmão mais novo, Miguel, que tem síndrome de Down, para explicar que não prejudicaria um PCD.
Créditos: Blog Dellas




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